Sábado, 13 de Junho de 2026
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Política OBRAS

Racionamento de asfalto no governo Jerônimo, o gabinete paralelo de Rui e o comício indesejado

Coluna aponta desconfiança de lideranças do interior sobre obras de pavimentação que teriam desacelerado ou parado, gerando desgaste com prefeitos e cobrança da população

22/05/2026 11h44
Por: Redação
FOTO:REPRODUÇÃO
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Lideranças do interior da Bahia têm relatado, em conversas reservadas, preocupação com o andamento de obras de pavimentação vinculadas ao governo Jerônimo Rodrigues (PT). O motivo seria a quantidade de intervenções que reduziram o ritmo ou ficaram paralisadas nos últimos meses.

Segundo relatos feitos à coluna, parte do problema estaria relacionada às medições realizadas pela Conder. Fiscais ligados ao governo têm apontado possíveis irregularidades em etapas executadas por empresas contratadas, o que acaba impedindo a liberação dos pagamentos. Sem receber, algumas empreiteiras teriam diminuído ou suspendido os trabalhos.

Ainda conforme esses relatos, há desconfiança entre lideranças locais de que as irregularidades apontadas nas medições possam estar sendo usadas como justificativa para adiar pagamentos. A avaliação de interlocutores ouvidos é que o governo estadual enfrentaria dificuldades financeiras para manter o ritmo das intervenções prometidas, além de acumular pendências com empresas responsáveis por obras já contratadas.

A situação já começa a gerar desgaste na base aliada. Prefeitos afirmam que seguem ouvindo anúncios de novas obras enquanto intervenções antigas permanecem inacabadas. Além disso, relatam que acabam sendo cobrados diretamente pela população. Moradores pressionam os gestores municipais, que cobram as empresas, enquanto as empreiteiras alegam falta de repasse por parte da Conder. Com isso, o impasse permanece sem solução clara.

Gabinete paralelo

Fornecedores e empresas prestadoras de serviço ao governo da Bahia também relatam incerteza em relação a contratos firmados em 2022. Segundo interlocutores do setor, algumas empresas têm sido chamadas para assumir novas obras, mas resistem em aceitar novos compromissos antes da quitação de pendências anteriores.

Na Secretaria de Infraestrutura, prefeitos, secretários municipais e empresários têm buscado respostas sobre a situação. Nos bastidores, circula a informação de que o ex-ministro Rui Costa (PT) estaria atuando para tentar destravar o problema, embora não ocupe cargo oficial no governo Jerônimo Rodrigues. A movimentação tem sido interpretada por alguns interlocutores como uma espécie de atuação informal nos bastidores da gestão estadual.

Governador por procuração

Nos bastidores do Centro Administrativo da Bahia, há avaliações de que Rui Costa voltou a exercer influência significativa sobre decisões do governo estadual. Integrantes da própria base governista afirmam que Jerônimo Rodrigues teria perdido espaço político dentro da gestão e passado a dividir mais decisões com o antecessor.

Segundo relatos feitos à coluna, Rui teria solicitado maior acesso às indicações e movimentações de cargos no governo. Jerônimo, diante da pressão interna, teria aceitado ampliar essa participação para evitar uma crise maior dentro do grupo político.

A movimentação teria gerado apreensão especialmente na Secretaria de Relações Institucionais, comandada por Adolpho Loyola. Nos bastidores, há receio de mudanças em indicações ligadas a grupos que não mantêm alinhamento com Rui Costa. Também circula a avaliação de que Loyola vem perdendo influência política dentro da articulação do governo.

Comício indesejado

O ex-senador Walter Pinheiro, mesmo afastado de mandatos eletivos, segue participando de agendas públicas e eventos institucionais. Embora não ocupe formalmente cargo na Federação das Indústrias do Estado da Bahia ou no Sebrae, Pinheiro tem marcado presença em atividades ligadas a essas entidades.

Recentemente, durante uma agenda do programa Avança Chapada, em Mucugê, ele fez uma fala em defesa do presidente Lula (PT) e do governador Jerônimo Rodrigues. O discurso gerou incômodo em parte dos presentes, principalmente porque o evento tinha caráter institucional. A avaliação de alguns interlocutores é que a fala acabou dando tom político a uma agenda que deveria ser voltada à apresentação de ações e projetos.

As aparências enganam

Uma pesquisa divulgada nesta semana e comemorada por setores ligados ao PT provocou diferentes leituras nos bastidores da política baiana. O levantamento mostrou o presidente Lula com 48,6% das intenções de voto na Bahia, contra 32,4% de Flávio Bolsonaro (PL).

Aliados petistas trataram o resultado como demonstração de força no estado. Por outro lado, adversários e analistas políticos chamaram atenção para a comparação com a eleição anterior, quando Lula venceu Jair Bolsonaro na Bahia com mais de 70% dos votos válidos.

Para esses interlocutores, o fato de Lula aparecer abaixo dos 50% no levantamento pode indicar um cenário mais competitivo do que o observado no último pleito. Um observador da política baiana resumiu a avaliação nos bastidores: “Se isso aí é motivo pra comemorar, imagine quando vier uma pesquisa ruim de verdade”.

Quem pariu Matheus que balance

Após quase ficar fora da chapa majoritária, o vice-governador Geraldo Júnior (MDB) voltou a gerar ruídos na base governista. Desta vez, o motivo seria um pedido de maior apoio do governo à reeleição de seu filho, o deputado estadual Matheus Ferreira (MDB).

Segundo interlocutores governistas, Jerônimo Rodrigues teria indicado que não pretende atuar diretamente para favorecer o parlamentar. A posição teria desagradado Geraldo Júnior, que esperava maior respaldo político após permanecer como vice na chapa governista.

Nos bastidores, porém, a avaliação atribuída ao grupo de Jerônimo é que o MDB já foi contemplado com a manutenção de Geraldo na vice-governadoria, o que reduziria a disposição do governo em assumir novos compromissos políticos em favor do deputado.

Cada dia com sua agonia

Deputados da base afirmam que Jerônimo Rodrigues tenta evitar novos pontos de desgaste interno. Atualmente, o governador já enfrenta reclamações relacionadas à pré-candidatura da ex-secretária da Educação Rowenna Brito (PT) à Assembleia Legislativa da Bahia.

Rowenna é apontada nos bastidores como uma das apostas políticas do governador para a disputa por uma vaga no Legislativo estadual. Diante disso, aliados avaliam que Jerônimo não pretende ampliar tensões dentro da base ao assumir outra articulação direta, desta vez em favor do filho do vice-governador.

Abigeato no interior

O crime de abigeato, furto de bovinos, tem preocupado produtores rurais no interior da Bahia. Relatos apontam que criminosos costumam agir durante a madrugada, abatendo animais no campo, esquartejando as carcaças e escoando a carne para estabelecimentos da região.

A prática gera prejuízos econômicos aos produtores e também levanta preocupação sanitária. Como os animais são abatidos de forma irregular e transportados sem controle adequado, há risco de contaminação da carne por sujeira, fezes, areia e terra. Consumidores que compram esse tipo de produto podem não saber a origem da carne nem os riscos envolvidos.

Réu confesso

Após o Tribunal de Contas do Estado da Bahia apontar irregularidades na celebração e execução de convênios entre o governo estadual e prefeituras em 2022, a Conder sustentou que não houve prejuízo aos cofres públicos.

Ainda assim, opositores afirmam que as falhas identificadas pelos auditores reforçam denúncias feitas naquele período sobre o uso de convênios às vésperas da eleição. Segundo essa avaliação, parte dos problemas observados em 2022 ainda teria reflexos em 2026, já que muitos convênios firmados naquela época não teriam sido concluídos ou sequer saído do papel.

A diferença, segundo lideranças municipais ouvidas, é que prefeitos estariam mais cautelosos neste ano diante da experiência anterior.

Fuja que a pergunta vem aí

O governador Jerônimo Rodrigues voltou a ser criticado por adversários após encerrar uma entrevista quando questionado sobre temas considerados sensíveis. Em Jacobina, ao ser perguntado sobre problemas no atendimento de saúde da região, o governador respondeu brevemente e deixou o local em direção ao avião que o aguardava.

“Vamos cuidar...”, disse Jerônimo, enquanto se afastava do entrevistador.

Esse episódio foi comparado por críticos a uma situação ocorrida em dezembro de 2024, em Nova Ibiá, no sul do estado, quando o governador também deixou uma entrevista ao ser questionado sobre insegurança na zona rural. Para opositores, os episódios reforçam a percepção de que o governo evita responder diretamente a temas incômodos. Aliados, por outro lado, costumam atribuir essas situações à dinâmica apertada das agendas oficiais.

A radiografia de 20 anos

O relatório do Índice de Progresso Social de 2026 colocou a Bahia na 22ª posição entre os 27 estados brasileiros em qualidade de vida. O estado aparece com 58,72 pontos em uma escala de 100, abaixo da média nacional, de 63,40.

O resultado tem sido usado por opositores como crítica ao ciclo de governos petistas no estado, que já dura cerca de duas décadas. Entre os principais pontos mencionados estão indicadores relacionados a desemprego, pobreza, analfabetismo adulto e violência.

Para críticos da atual gestão, os números ajudam a explicar o crescimento de um sentimento de mudança em parte do eleitorado baiano. Já governistas tendem a argumentar que os desafios sociais do estado são históricos e exigem políticas públicas de longo prazo para serem superados.

FONTE: CORREIO 

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